20:22:55 Sexta, 22 Novembro 2019

“Os Canários são como o gigante Teide – tranquilos como a neve à superfície, mas com fogo no coração..." (canção popular).

As sete ilhas do arquipélago das Canárias já eram habitadas muito antes da chegada dos primeiros marinheiros europeus. O nome “Guanches” vem da língua local “guan” (que quer dizer “homem”) e "che" (“montanha branca”, referindo-se ao monte Teide, coroado de neve, em Tenerife). Esta era a designação geral atribuída aos nativos, mas na verdade estes tinham um nome diferente em cada uma das ilhas. Os indígenas da Gran Canaria eram conhecidos como Canários. Segundo se pensa, os Guanches teriam chegado às ilhas entre os séculos V e I a.C., provavelmente vindos de África. De acordo com os registos históricos espanhóis, eram altos, fortes, de pele branca, olhos azuis e cabelos loiros.

Os Guanches habitavam em cavernas, abrigos muito convenientes no suave clima das Ilhas Canárias. As cavernas mantinham-se habitáveis tanto de Inverno como de Verão e ofereciam excelentes condições para armazenar alimentos.

Mas como teriam os Guanches chegado às ilhas se não há provas de que possuíssem qualquer conhecimento náutico? A questão permanece sem resposta, embora se pense que poderiam ter sido aí abandonados por piratas ou exilados de Roma ou Cartago. Outra teoria afirma que teriam chegado em jangadas, vindos do Norte de África.

Costumes e Tradições
Pueblo Canario
Mundo Aborigen

Os Guanches adaptaram-se bem à geografia rochosa, vivendo em cavernas ou cabanas simples construídas de pedras, mas a sua sociedade não era totalmente primitiva: pelo contrário, tinham uma estrutura social relativamente sofisticada. Havia variações de ilha para ilha, mas em geral estavam agrupados em tribos governadas por um chefe apoiado por um conselho de anciãos. Na altura da ocupação espanhola, os nativos já conheciam a cerâmica. Os principais alimentos eram o leite e manteiga de cabra, carne de porco e frutos. Vestiam-se com túnicas de couro ou tecidos feitos de fibras de folhas de palmeiras. Embora possuíssem caracteres de tipo alfabético e produzissem gravuras rupestres e pinturas, o seu significado permanece obscuro.

A Gran Canaria possui hoje uma densidade populacional de 517 habitantes por km², a mais elevada do arquipélago e da Europa. Quase metade da população reside em Las Palmas, uma cidade de grande diversidade étnica e ambiente cosmopolita.

Os habitantes de Gran Canaria são orgulhosos, simpáticos e descontraídos. A maioria deles descende dos conquistadores espanhóis, dos colonizadores e dos Guanches assimilados. Em geral são tolerantes, prestáveis e acolhedores para com os visitantes, a quem gostam de mostrar a sua cultura e ilha.

Tendo servido de ponte entre a Europa, a América e a África ao longo da sua história, as Ilhas Canárias receberam inúmeros imigrantes estrangeiros – em especial famílias de comerciantes e marinheiros. Os seus descendentes estão hoje totalmente integrados na sociedade local e ninguém lhes nega o estatuto de cidadãos das Canárias.

Quase 96% dos habitantes das Canárias são católicos e orgulham-se da sua tradição, o que pode ser testemunhado nas grandes festas religiosas, especialmente durante a Semana Santa, celebrada com grande pompa em todo o arquipélago.