02:01:39 Segunda, 18 Novembro 2019

A história primitiva das Ilhas Canárias está envolvida em mitos e lendas, associando-se muitas vezes à desaparecida Atlântida ou às narrativas das Ilhas Afortunadas, o paraíso mitológico dos antigos Gregos e Celtas.

Pensa-se que a Gran Canaria já estaria povoada por volta de 500 a.C., existindo várias teorias acerca das origens dos seus primeiros habitantes. A mais aceite afirma que os nativos de Gran Canaria, conhecidos como Guanches (embora o termo “Canários” seja o historicamente correcto), seriam originários do norte da África e descendentes dos Berberes. Os Guanches viviam de forma muito primitiva – como provam os utensílios e armas simples encontradas na ilha – habitando em cavernas. Porém, acredita-se que teriam usado rochas e pedras para construírem pequenos abrigos improvisados cobertos por ramos e folhas. O seu maior feito foi no domínio da cerâmica – o barro era modelado manualmente, sem o uso da roda de oleiro.

Após a queda do Império Romano, as Ilhas Canárias foram esquecidas na Europa durante quase 1000 anos, e até à sua redescoberta por navegadores do Mediterrâneo em inícios do século XIV os cerca de 30 000 Guanches da ilha de Gran Canaria viveram uma vida relativamente pacífica. A situação mudou drasticamente ao longo do século XIV, quando Genoveses, Portugueses e Catalães começaram a enviar os seus barcos até às ilhas em busca de escravos e peles. No início do século XV teve início o rápido processo de conquista das ilhas.

Na Gran Canaria, os Guanches resistiram aguerridamente à conquista espanhola, mas em 1483, Pedro de Vera, que comandava as forças invasoras, concluiu a ocupação iniciada por Juan Rejón cinco anos antes. Muitos Guanches morreram em combate ou cometeram suicídio para não se renderem aos espanhóis. Os sobreviventes foram escravizados ou convertidos ao Cristianismo e desapareceram como povo.

Os contactos com o Novo Mundo (intensificados pela elevada emigração para a América Latina provocada pelos sucessivos problemas económicos locais), onde Cuba tinha conquistado a independência de Espanha em 1898, vieram despertar as aspirações independentistas das Canárias. No entanto, a maioria da população apenas reivindicava a divisão do arquipélago em duas províncias distintas (Las Palmas e Tenerife), o que veio a acontecer em 1927.

Poucos anos antes, em 1912, a aprovação da Lei dos Conselhos (“Ley de Cabildos”) em Espanha veio permitir a aprovação de uma série de projectos de infra-estruturas, como o aeroporto, albufeiras e a rede principal de estradas da ilha, lançando as bases para o desenvolvimento da indústria do turismo. O ano de 1982 foi outra das datas mais importantes da história local, com a aprovação do Estatuto de Autonomia das Canárias.